quarta-feira, 21 de novembro de 2018

A primeira foi criada para os quadrinhos. A segunda, para o cinema. A história delas se confunde a ponto de serem quase consideradas a mesma personagem em algumas versões. Conheça a complicada crise de identidade entre as vilãs de aço: Faora e Ursa.


FAORA, A PRIMEIRA VILÃ KRYPTONIANA

Faora, ou Faora Hu-UI, foi inicialmente concebida nos quadrinhos como uma criminosa kryptoniana sentenciada a cumprir pena equivalente a 300 anos kryptonianos na Zona Fantasma, uma dimensão paralela descoberta por Jor-El, pai do Superman, onde detentos eram transformados em seres incorpóreos, podendo ver tudo a sua volta, mas sem serem vistos ou ouvidos, tal como verdadeiros espectros.

A estreia da vilã foi em 1977, em Action Comics #471, de início mostrada ainda presa na Zona Fantasma, mas cometendo crimes por Metrópolis como um espectro de energia.


Logo em seguida, no número #472, ela se liberta de seu cativeiro extradimensional e aí pode-se vê-la em sua forma corpórea: cabelos castanhos curtos, corpo sensual num colante predominantemente verde, cor que se tornaria referência para ela nos anos seguintes.

Por anos, Faora foi conhecida pelos leitores como "a mulher da Zona Fantasma", sendo o único membro do sexo feminino a compor o quadro de detentos lá exilados, do qual fazia parte o general Dru-Zod, o cientista Jax-Ur, Kru-El (nome idiota e, sim, primo em segundo grau do Superman) entre outros. Ela se destacava por duas particularidades:

1) Seu ódio imenso pelos homens, razão que a levou a montar um campo de concentração particular onde exterminou 23 indivíduos do sexo masculino, podendo ser taxada como uma serial killer.

2) Seu treinamento e expertise na arte marcial kryptoniana conhecida como Horo-Kanu, isto numa época onde mostrar um homem lutando com uma mulher de igual para igual nos quadrinhos era algo impensável e ela, desta forma, apresentava-se como um desafio para o Superman, pois ele não podia trocar socos com a vilã por motivos de cavalheirismo, mesmo ela sendo uma lutadora superior.


A sentença de Faora, aliás, só era superada pela de Jax-Ur, o responsável por destruir Wegthor, uma das luas de Krypton, tornando-a praticamente a segunda mais perigosa detenta da Zona Fantasma, superando até mesmo o status de periculosidade de seu mais ilustre ocupante, o general Dru-Zod.

URSA, A OUTRA MULHER DE KRYPTON

Em 1978, estreava nos cinemas Superman - O Filme, onde o público era apresentado a 3 criminosos kryptonianos sentenciados logo no começo por Jor-El (Marlon Brando) à detenção na Zona Fantasma: o general Zod, Non e Ursa. Eles voltariam em Superman II - A Aventura Continua, 2 anos depois, para serem os principais antagonistas do Homem de Aço ao fugirem de seu emprisionamento, promovendo uma onda de destruição pela Terra até assumirem o domínio do planeta.

Ursa, vivida pela atriz Sarah Douglas em ambos os filmes, tinha alguns paralelos em comum com a Faora dos quadrinhos, herdando dela inclusive o ódio por homens. Na fala de Jor-El, até ficava implícito que este sentimento ameaçou "as crianças do planeta Krypton", ou seja, ela deve ter matado alguns garotos pelo caminho antes de se aliar ao general Zod no fracassado golpe mostrado de forma breve no começo de Superman II. Da mesma forma, Jax-Ur e Kru-El, dois zoners (detentos da Zona Fantasma) famosos, foram substituídos por Non, interpretado por Jack O'Halloran, um gigante de força bruta e com deficiência mental sem qualquer similaridade aos dois e uma criação totalmente nova do escritor Mario Puzo e dos roteiristas David e Leslie Newman.


"Mas, um momento, por que Faora, e não Ursa, foi apresentada como a detenta da Zona Fantasma?" - Você pode perguntar.

Para explicar essa confusão, vamos primeiro entender que, quando Superman - O Filme e Superman II - A Aventura Continua foram produzidos, não havia muito cuidado ou esmero em se manter fidelidade ao material original, os quadrinhos, e, portanto, muitas liberdades eram tomadas nas adaptações deles para o cinema, rádio ou TV, algo presente até hoje nestas transposições. A mudança de nomes de personagens ou fatos de suas vidas por completo era algo recorrente. Por exemplo, em Batman (1989) é o Coringa quem mata os pais de Bruce Wayne e não Joe Chill.

Desta forma, cabe antes a pergunta: quem veio primeiro: Faora ou Ursa? 

Pode-se pensar que Faora veio antes por ter feito sua estreia em maio de 1977 e Ursa ter estreado nas telas em 1980, mas não foi bem assim. Superman II foi filmado inicialmente junto com sua primeira parte e os trabalhos começaram em abril de 1977. Quadrinhos também são feitos com meses de antecedência antes de sua publicação então Faora já havia sido criada internamente dentro da DC muito antes de sua estreia em maio daquele mesmo ano.

Assim, fica o dilema de quem foi desenvolvida antes de quem. É bem possível que a DC, na época já propriedade da Warner e sabendo dos planos cinematográficos de inserirem uma vilã fugitiva da Zona Fantasma no cinema (até então, o Superman só havia enfrentado homens kryptonianos lá presos), pode ter se antecipado e lançado sua versão nos quadrinhos (mais provável) bem como Mario Puzo, David e Leslie Newman, respectivamente autor da história e roteiristas dos dois filmes, terem sido informados pela DC sobre os planos para Faora e terem criado sua própria versão (menos provável). Fato é: a criação das duas parece ter ocorrido de forma paralela e quase ao mesmo tempo.

O que importa neste ponto é saber que Ursa  jamais fora uma personagem de quadrinhos, sendo exclusiva do universo dos filmes, o chamado donnerverse. Da mesma forma, Faora pertencia aos quadrinhos. Esta divisão entre as duas permanecerá, como veremos, pelas décadas seguintes.

CRISE E ESQUECIMENTO

No ano de 1985, a DC Comics resolveu "resetar" seu universo de histórias com o evento Crise nas Infinitas Terras. Era como se nada tivesse sido escrito até aquele momento, todos os personagens tiveram suas origens recontadas e começaram do zero novamente. A reformulação do Superman ficou a cargo do roteirista e desenhista John Byrne. Entre as novas diretrizes editoriais referentes ao personagem, estipulava-se dois pontos relevantes:

1) Clark Kent, agora tornado a persona predominante, iniciou sua carreira heroica na idade adulta jamais tendo sido um "superboy";

2) Só havia um sobrevivente de Krypton, Kal-El/Superman, e nenhum outro. Isso eliminava totalmente personagens como a Supergirl (Kara Zor-El), Krypto, os habitantes da cidade engarrafada de Kandor e também os criminosos da Zona Fantasma, incluindo a versão prévia de Faora Hu-Ul, a assassina de homens.

Um dos primeiros problemas da nova continuidade veio com a Legião dos Super-Heróis, um grupo criado nos anos 60 cujas as histórias se passavam no século 30. A equipe havia sido formada de início por três jovens - Rapaz Relâmpago, Satúrnia e Cósmico - inspirados no Superboy e aqui morava o problema: na versão do Homem de Aço escrita por John Byrne, o herói jamais atuara como Superboy durante a infância ou adolescência, porém as primeiras aventuras da Legião pós-reboot continuaram fazendo referências a sua versão adolescente no então século XX e a DC precisou explicar o fato aos leitores.

Byrne, sempre criativo, veio com a solução milagrosa: de fato, o Superman jamais havia sido um super-garoto de carreira pública na infância e adolescência, mas houve um erro nos arquivos preservados no século 30 de suas primeiras aventuras e foram, de alguma forma, registradas atividades dele como um "superboy". Um inimigo da Legião com poderes quase divinos, o Mestre do Tempo, valendo-se dessa informação e sabendo da confusão dos jovens heróis, criou um "universo compacto" onde manipulou a existência e fatos relacionados à incontáveis pessoas para criar um Superboy igual ao conhecido pela Legião nos registros arquivados do século XX.


Assim, sempre quando a equipe viajava ao passado para encontrar com ele, o vilão manipulava a travessia, fazendo-a ir parar em sua dimensão paralela sem saber. Seu objetivo era eventualmente voltar o garoto contra o grupo, desestabilizando-o emocionalmente. Na trama final, para "limpar" a casa do problema criado, Byrne matou o Superboy numa aventura em conjunto com o Superman e a Legião, onde o Homem de Aço tomou conhecimento daquele universo compacto.

Como última curiosidade deste arco, fica o detalhe dos kryptonianos daquela dimensão serem muito mais poderosos que o Superman. Uma das decisões mais polêmicas de John Byrne e da DC na época do reboot foi reduzir os níveis de poder do Homem de Aço. Quando este arco de histórias foi lançado, Byrne decidiu explorar um interessante conceito e estabeleceu que o Superboy - assim como todo e qualquer kryptoniano daquele universo compacto - possuía os mesmos níveis de poderes de sua versão pré-Crise, tal como ser capaz de quebrar a barreira do tempo sozinho e sem a ajuda de equipamentos. A kryptonita desta dimensão também era inofensiva, por alguma razão desconhecida, ao Homem de Aço.

Algum tempo depois, o Superman voltou a esta dimensão paralela convocado pela Supergirl de lá, na verdade um clone super-poderoso de Lana Lang desenvolvido pelo Lex Luthor daquele universo, e faz uma terrível descoberta: três criminosos kryptonianos haviam sido libertados de sua prisão na Zona Fantasma, dizimando praticamente toda população terrestre e o próprio planeta onde, graças às manipulações do Mestre do Tempo, nunca havia surgido outro herói além do finado Superboy, não havendo portanto quem pudesse se opor a eles, tal como uma Liga da Justiça.

Os vilões eram o general Zod, Quex-Ul e... Zaora. Apesar do nome diferente, a personagem tinha um uniforme praticamente idêntico à Faora da continuidade anterior, além de sua lealdade à Zod. Todos três fugitivos, assim como o Superboy, tinham um nível de poder bem superior ao do Superman, mostrando-se uma ameaça muito mais letal do que qualquer adversário até então.

A história foi dividida em três edições e, talvez por isso, Byrne se isentou de dar explicações tanto sobre o passado da criminosa foragida, quanto dos demais, ficando totalmente em aberto se havia alguma nova informação ou não sobre o trio. O autor manteve o visual clássico de Zod, enquanto baseou Quex-Ul em Jax-Ur com sua paleta verde e amarela. Zaora, sua releitura de Faora, manteve o colante verde, mas ganhou uma predominância de púrpura.

Zaora ao lado de Quex-Ul e Zod.

A edição Superman #22 (no Brasil, Superpowers #22, Editora Abril, 1990) foi a última escrita por John Byrne e apresentou o combate épico pela liberdade das forças da daquela Terra, lideradas por Superman e Luthor, com participação os pilotos Oliver Queen, Bruce Wayne e Hal Jordan, nomes bem familiares para muitos leitores.

No fim, em um dos momentos mais polêmicos das HQs dos anos 1980, Superman matou os criminosos - já sem poderes - usando kryptonita verde, após eles terem exterminado todos os demais sobreviventes daquele mundo, restando apenas os quatro num planeta calcinado, sem conter sequer vida vegetal ou oceanos e rios. Assim, encerrava-se a introdução e breve participação de Faora, ou Zaora, após o reboot de 1986 (NOTA: esta história foi progressivamente apagada da cronologia desde Legado das Estrelas).

VERSÕES E MAIS VERSÕES DE FAORA

Faora reapareceu brevemente como um programa de computador nos anos 2000, uma inteligência artificial que tenta infectar o personagem Erradicador, uma máquina kryptoniana que ganhou consciência e depois se tornou um anti-herói após o evento da morte do Superman. Esta versão durou apenas a história onde a trama se passou.

Em 2001, Superman e Lois Lane vão parar no planeta natal dele através da Zona Fantasma no arco Return to Krypton e lá conhecem a dupla formada por Faora e seu marido, Kru-El, o primo do herói fazendo sua primeira aparição no universo DC após o reboot de 1986. Os dois eram conhecidos aqui como "Os Cães de Zod". Este arco foi publicado inteiro no Brasil em Superman Premium #19 da editora Abril.


Depois foi estabelecido que este planeta era uma criação do vilão Brainiac 13, sendo na verdade uma armadilha para Kal-El e Lois. Esta Faora acabou sendo morta por fanáticos religiosos, tendo sido a segunda versão "kryptoniana" da personagem a aparecer desde 1986, embora, novamente, pertencente a uma realidade paralela.

Passado algum tempo, a DC resolveu reintroduzir Faora ao lado de um General Zod, agora sem qualquer ligação com Krypton ou a Zona Fantasma, ainda mantendo o status quo de último kryptoniano do Homem de Aço. Ela foi apresentada como uma metahumana (termo usado dentro do universo da editora para designar um terráqueo com super-poderes) que servia a este "Zod", na verdade o filho de cosmonautas russos e cujo poder vinha da radiação de sol vermelho em oposição aos do Superman, oriundos de uma estrela amarela. Esta versão teve também uma vida breve: a vilã e seu passado nunca foram realmente explorados, ficando o maior enfoque no "general" e ela acabou esquecida pelos demais autores quando esse arco de histórias se fechou. Sua estreia no Brasil se deu em Superman Premium #22 da editora Abril.

Esta foi a última aparição de uma "Faora" nos quadrinhos antes de 2011, quando a DC resolveu novamente rebootar seu universo. Uma curiosidade: Joe Kelly, o autor deste arco, confirmou que a ideia inicial era fazer o "Zod" cosmonauta ser na verdade o Kal-El daquele falso Krypton criado por Brainiac 13. Originalmente, eles mostrariam como teria sido corrompido pelo espírito do Zod original, morto por Superman anos atrás no "universo compacto", mas em algum ponto o autor e a DC mudaram a direção do roteiro. Fica claro em alguns pontos ao ler as edições onde eles aparecem, porém, que o vilão definitivamente sofria influência do outro general.

Neste ponto, ainda ficava clara a predileção dos autores por mantar Ursa como uma personagem exclusiva do cinema e explorar Faora como a contraparte dos quadrinhos, mas isto estava prestes a mudar.

URSA NOS QUADRINHOS

Antes de se introduzir a "Faora metahumana" citada acima, a DC resolveu reescrever novamente a origem do Superman com a mini-série Legado das Estrelas escrita por Mark Waid e desenhada por Francis Yu, abrindo as portas para a existência de outros kryptonianos ao romper com a lei do "só pode haver um" e trazendo de volta, nos anos seguintes, a Supergirl original (Kara Zor-El) e a cidade de Kandor, embora o silêncio sobre uma Faora mais fiel à versão pré-1986 continuasse.

Em 2006, a DC convidou Richard Donner, o diretor de Superman - O Filme e de praticamente 70% do segundo para escrever um arco de histórias oficial para as HQs e ele foi responsável por introduzir Ursa e Non nos quadrinhos como personagens oficiais do cânone ao lado do General Zod, todos os 3 apresentados como kryptonianos puro-sangues e fugitivos da Zona Fantasma, no arco O Último Filho (The Last Son).


Donner incorporou novos detalhes ao passado da vilã, alterou outros estabelecidos no filme e desenvolveu mais personalidade dela, enfim distanciando ainda mais Ursa de Faora. Ficou estabelecido que Ursa era subordinada militar e amante do General Zod, sendo uma soldado altamente treinada do exército kryptoniano. Zod e ela também tinham um filho, Lor-Zod, nascido na Zona Fantasma e depois adotado por Clark e Lois por um breve período, onde ganhou o nome terráqueo de Christopher Kent numa clara homenagem clara do diretor a Christopher Reeve, ator que viveu o Superman em seus filmes (saiba mais sobre ele aqui).

FAORA NO CINEMA

Mas, se desde 1988 (1990 no Brasil) não se ouvia falar de uma Faora kryptoniana nos quadrinhos, o cinema guardava uma surpresa. O Homem de Aço (Man of Steel), o reboot da franquia Superman dirigido por Zack Snyder e escrito por David S. Goyer lançado em 2012, teve o privilégio de resgatar e apresentar à grande audiência a personagem original, Faora, inteerpretada pela atriz alemã Antje Traue, mas a confusão entre ela e Ursa só piorou: tirando uma rápida passagem onde ela luta com Kal-El usando claros movimentos de artes marciais, não existe praticamente nada na personagem que remeta a sua versão original nos quadrinhos (1977-1985).

Faora é agora apresentada como uma soldado, membro do exército kryptoniano e subordinada a Zod, sendo sua segunda-em-comando. Soa familiar? Pois é, o ciclo se completou e agora é ela quem absorveu em sua versão cinematográfica traços da Ursa dos quadrinhos, tornando ainda mais indistinta e confusa a linha entre as duas personagens.

Antje Traue como Faora em O Homem de Aço

Outra pequena curiosidade no filme é o nome completo da vilã. Ela chama a si de Faora-Ul em certo momento, mas este não era o modo adotado para nomear mulheres kryptonianas em nenhuma das versões do planeta nos então 75 anos de criação do Superman. O padrão "básico" sempre foi um primeiro nome seguido pelo nome completo do pai da mulher. Por exemplo, a mãe de Kal-El se chamava Lara Lor-Van, enquanto a Supergirl original, prima do herói, é Kara Zor-El. Originalmente, as mulheres herdavam o nome do marido quando casavam (Lara passou a se chamar Lara Jor-El), mas após o reboot de 1986 isso sofreu algumas mudanças e, a desde 2011, ficou estabelecido que elas mantinham o nome do pai mesmo após casar. Assim, uma mulher de Krypton nunca acoplou o nome da família ("El", "Van", "Ul", "Zod") direto ao seu como em "Faora-Ul" e não se sabe porque isso foi apresentado assim no filme de 2012, pois a própria Lara, a outra kryptoniana a aparecer no longa, é nomeada de forma correta - Lara Lor-Van - em diversos materiais promocionais e guias visuais da produção.

FAORA NOS QUADRINHOS... DE NOVO

Em 2011, a DC novamente "zerou" seu universo após o evento Ponto de Ignição como parte do projeto Novos52 que visava reiniciar a história de seus personagens de novo, tal como em 1986. Na nova origem e histórias do Superman, a existência de Ursa e Zod, Jax-Ur e Non foi confirmada em alguns painéis isolados o relançamento das revistas, mas sobre Faora nada ainda havia sido dito nos primeiros meses de publicação.

O lançamento e sucesso comercial de O Homem de Aço porém incentivou a DC a trazer a personagem oficialmente de volta ao cânone pela primeira desde 1986: ela fez sua estreia oficial na revista Superman/Wonder Woman #5.

Esta Faora é basicamente a mesma da versão cinematográfica de 2012, contando inclusive com um visual praticamente igual ao apresentado por Antjie Traue com sua armadura e brasão de família.


Totalmente devotada a Zod, o responsável por sua libertação da zona fantasma, ela provou ser tão letal quanto sua versão antiga quase matando o Superman e a Mulher Maravilha, na época um casal.

URSA RETORNA!

Em 2016, como parte da iniciativa editorial Renascimento, a DC mais uma vez - isso aí, haja paciência! - resetou a história do Superman, unificando as versões Novos52 com a pós-Crise criando uma linha temporal única que busca fundir os principais fatos e elementos das últimas 3 décadas em uma continuidade (saiba mais aqui).

Ainda restavam (e restam) dúvidas sobre se várias histórias são válidas ou não, mas os criadores envolvidos deixaram claro alguns pontos importantes, dentre eles o fato de Superman e Mulher-Maravilha jamais terem namorado, anulando totalmente da cronologia os eventos vistos na revista conjunta dos dois e, de tabela, a existência de uma Faora kryptoniana amante de Zod. Estaria o caminho aberto para a volta de uma Ursa nos quadrinhos?

A resposta veio progressivamente primeiro nas revistas do Esquadrão Sucida, quando Zod fez sua primeira aparição pós-Renascimento onde foi mostrado de forma bastante parecida com a versão já apresentada nos Novos52.

Foi nas posteriores edições de Action Comics onde Ursa voltou como sua versão pós-Crise: a mulher de Zod, soldado leal e mãe do filho do casal, Lor-Zod.


Aqui entram mais mudanças radicais: a saga O Último Filho (The Last Son) envolvendo Lor-Zod não aconteceu nesta nova continuidade oficial mesmo com tantos elementos pós-Crise tendo sido restaurados, ou seja, o garoto jamais deixou a Zona Fantasma, não sendo brevemente  adotado por Clark e Lois e tampouco morreu após assumir o manto do herói kryptoniano Asa Noturna. Ele continua ser um garoto por volta dos 13 anos e, junto com seus pais, forma um "espelho invertido" da superfamília formada por Superman, Lois e Jon Kent, o Superboy, filho do casal (conheça mais sobre ele aqui).

O destino de Faora é novamente uma incógnita dentro do Universo DC. Parece que na batalha da preferência popular, dos escritores, artistas e executivos da DC, Ursa, após tantos anos, saiu novamente vitoriosa.

JUNTAS AGORA!

Finalizando, as duas vilãs já se encontraram. A única vez onde Faora e Ursa foram apresentadas como seres totalmente distintos e separados, inclusive coexistindo juntas, foi no episódio The Hunter da série animada do Superman produzida em 1988 pelo estúdio Ruby-Spears, quando ambas aparecem trabalhando ao lado de Zod.

Apesar de vestirem prativamente a mesma roupa, Faora é mostrada usando o padrão esituplado por John Byrne poucos anos antes em sua "Zaora", o verde e roxo.

Ursa (à esquerda) e Faora ao lado do general Zod em The Hunt.

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4 comentários:

  1. Cara, eu estou sem palavras pra descrever esse belo trabalho e paciencia que voce teve para desenvolver todo esse texto muito bem explicativo! Sou mega fã das historias do Superman e gosto muito da personagem Faora. Foi otimo tirar esse tempo pra ler tudo a respeito aqui, muito obrigado!

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  2. Excelente trabalho. MAGNÍFICO. Parabéns pelo ótimo conteúdo.

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  3. Na série animada de Bruce Timm e Paul Dini, o Jax-Ur faz o papel do Zod e a Mala (nome de um homem nos quadrinhos), o mesmo que Ursa e Faora, o Zod ainda apareceria, mas só nos quadrinhos. No TV Tropes chamam esse recurso de personagem composto, também há o personagem decomposto, quando um personagem dá origem a dois.

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  4. Fantástica matéria! postem isso no Multiversos 616 também!

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